photo by Cartier Bresson
Taken from the heart, put in the hand.





















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FAVORITOS
a lovely loser* brincando de jornalistas* curaloucura* mafioso siciliano bem vestido* wannabindie* menino suriname* joão* dehco* pé de pano* pornorrealismo fantástico para crianças* eclipses da gabi* a bolsa amarela





para emails: misstenenbaum@hotmail.com








































































(...)
Quem entender a linguagem entende Deus
cujo filho é o Verbo. Morre quem entender.
A palavra é disfarce de uma coisa mais grave, surda-muda, foi inventada para ser calada.
Em momentos de graça, infreqüentíssimos, se poderá apanhá-la: um peixe vivo com a mão.
Puro susto e terror.
ADÉLIA PRADO, ANTES DO NOME






































































Sleeping is giving in, no matter what the time is. Sleeping is giving in, so lift those heavy eyelids. People say that you'll die faster than without water. But we know it's just a lie, scare your son, scare your daughter. People say that your dreams are the only things that save ya. Come on baby in our dreams, we can live our misbehavior. Every time you close your eyes Lies, lies! Every time you close your eyes Lies, lies! Every time you close your eyes Lies, lies! Every time you close your eyes Lies, lies! Every time you close your eyes Every time you close your eyes Every time you close your eyes Every time you close your eyes People try and hide the night underneath the covers. People try and hide the light underneath the covers. Come on hide your lovers underneath the covers, come on hide your lovers underneath the covers. Hidin' from your brothers underneath the covers, come on hide your lovers underneath the covers. People say that you'll die faster than without water, but we know it's just a lie, scare your son, scare your daughter, Scare your son, scare your daughter. Scare your son, scare your daughter. Now here's the sun, it's alright! (Lies, lies!) Now here's the moon, it's alright! (Lies, lies!) Now here's the sun, it's alright! (Lies, lies!) Now here's the moon it's alright (Lies, lies!) (Lies, lies!)



















































































I ain't good looking And my hair ain't curls I ain't good looking And my hair ain't curls But my mother she give me something It's going to carry me through this world Some man like me 'cuz I'm happy Some 'cuz I'm snappy Some call me honey Others think I've got money Some say Billie Baby you're built for speed Now if you put that altogether Makes me everything a good man needs






























































































Eu sou uma menininha bonitinha e fofa. Porra, o que mais querem de mim?!















































































































































































Auto-ajuda do bem

" 'Toda manhã, na África, uma gazela desperta. Sabe que deverá correr mais depressa do que o leão ou será morta. Toda manhã, na África, um leão desperta. Sabe que deverá correr mais depressa que a gazela ou morrerá de fome. Quando o sol surge, não importa se você é um leão ou uma gazela: é melhor começar a correr.'
 
Os apologistas dessa historinha são os maiores defensores de uma sociedade esquizofrênica, voltada para a agressividade competitiva."
 
Domenico de Masi
 
Puxa, é realmente muito bom saber de gente que tem a noção de que não somos leões ou gazelas, e sim os mesmos seres humanos que passaram milênios e milênios na busca de afirmar sua diferença em relação aos animais.  


Escrito por AJ Azambuja às 09h51
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Adeus, velho amigo

Mais uma vez decidi parar de fumar. Vinha sentindo os malefícios do tabagismo que, aliados à culpa existencial que me acompanha ad eternum – de fazer mal ao meu corpo, de gastar mais do dinheiro que não tenho, de fazer coisas feias, más, reprováveis, talvez pra ter prazer em me atormentar por isso ao repousar a cabeça no travesseiro à noite – me levaram a tal decisão, novamente. Me doíam o peito e as costas, e pernas e braços e garganta; me sentia cansada e zonza, e essas coisas todas (somatizações) pelas quais era fácil jogar a culpa no vilão fácil, assim eleito pela sociedade médica e pelo senso comum. Parar de fumar não é fácil, mas vivo um momento em que as decisões fáceis não são as melhores. Culpar o cigarro pelas minhas dores sim, é fácil – talvez por isso esteja soando tão inconsistente pra mim, agora. Há um dia que não fumo. Um dia, somente.

 

Um cigarro tem significados para um fumante que aqueles que não fumam não podem compreender. Assim como as incoerências de um grande amor podem não fazer sentido a quem nunca se apaixonou. O cigarro é uma companhia, por vezes a única que se deseja. Acender um cigarro é uma fuga pra um lugar seguro, é um escudo de proteção contra o mundo desconhecido, um limite de segurança para novos envolvimentos. E isso vicia - há companhias que viciam. Porque elas te fazem se sentir tão bem... Mas eu preciso do mundo, agora. Ele tem me dado coisas boas, me trazido perspectivas entusiasmantes. Eu preciso de mim mesma, aqui, agora, inteira.

 

Foram alguns os meus anos de fumante, não muitos, mas alguns. Na companhia desse que me completou e me satisfez. Um fumante será sempre um fumante, a verdade é essa (vejam a piada: eu, a grande relativizadora, espalhando verdades a torto e a direito, frases feitas, falando por todos com uma convicção tão frágil quanto essa resolução sobra a qual agora divago. Não, não sou essa pessoa. Desci há uma hora ou duas pra me comprar um maço, fumei na rua pra não incomodar os que moram comigo. Ainda assim, parei de fumar – de um maço por dia para aquele indispensável. Eu me permito, me autorizo. Sou Senhora desse mundo que chamo de “eu” quando quebro minhas próprias regras nos momentos em que elas deixam de fazer sentido – desculpa pelo desejo. Assim são minhas resoluções, nessa minha hipocrisia salutar).



Escrito por AJ Azambuja às 14h42
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0% de transpiração

Não sei a quem quero enganar com este blog, eu não sou escritora. Os textos que às vezes um amigo ou outro elogia não passam de um punhado de técnicas jornalísticas aplicadas pra expressar coisas sem muito estilo. (Eu lia Virginia Woolf antes de me lançar a escrever o que agora escrevo). Na maioria das vezes a poesia me foge, e as nuances das coisas que sinto ou que vejo ou que penso dificilmente se mantêm presentes nas minhas palavras. Eu fico horas matutando aquela frase perfeita, e que na minha cabeça expressa perfeitamente o que quero dizer, mas quando vou escrevê-la ela já não é mais ela, já não está mais lá.

Houve uma época em que eu admirava mais meus próprios textos. Eu era mais triste e parece que a tristeza é meu melhor combustível pra escrever. Ou então a solidão, num estado de instrospecção no qual tudo ao entorno são suas idéias e por isso não é tão difícil traduzi-las. Pra mim é difícil traduzir a poesia das coisas de fora de mim mesma, embora eu tenha tanto a dizer. Talvez seja questão de exrcício e de treino, mas eu não sou assim. Eu quero sempre o sopro dourado da inspiração, essa que é criança birrenta e voluntariosa, mas que também proporciona os maiores prazeres. Talvez eu tenha conlcuído algo: escrevo mal porque sou negligente e preguiçosa, é verdade. E fico muito frustrada com isso, muito. Achei que com isso pudesse compor um estilo, pretensiosa que sou; mas não. Apesar disso tudo, fico feliz de viver a poesia que não posso escrever na mioria do tempo - e não só a poesia, mas a ironia e as histórias e toda essa sorte de sutilezas dignas de serem escritas. Viver a poesia é mais importante, no final, e é pensar assim o que não fez de mim uma escritora. Ainda preciso me livrar da maldição da primeira pessoa.   



Escrito por AJ Azambuja às 17h10
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Mea Culpa

Já faz algum tempo, eu discutia com uns amigos sobre a Madeleine Peyroux, defendendo de forma convicta que sua voz lembrava mais a Ella que a Billie. Se me lembro certo e realmente defendi essa posição, eu estava completamente errada. O jeito de Madeleine cantar, assim como sua voz, são muito, mas muito mais parecidos com os da maior de todas, a divina e absoluta Billie Holliday. A languidez e o tempo da interpretação são inegavelmente inspirados em Lady Day, mas escutando agora e mais uma vez o álbum Careless Love eu entendo o que me levou a sustentar o que havia sustentado antes: mesmo em suas músicas mais tristes, Medeleine não injeta nem metade da carga de "blues and sorrow" que a interpretação de Billie confere a mais alegre das canções. A voz de Billie traz sempre aquela tristeza intríseca e profunda, uma tristeza perene que só podemos supor como vinda da alma, e graças a qual adivinhamos as agruras horríveis pelas quais passou para que tais cicatrizes se fizessem assim, tão parte de sua dona. Essa é, pra mim, a maior característica do estilo de Billie Holliday, é o que faz dela Billie Holliday, única, e portanto é óbvio que Madeleine Peyroux não poderia trazer isso em sua voz ou em sua interpretação.

Mas assim como as canções interpretadas por Billie Holliday em muitos momentos traduziram exatamente o que eu sentia, as de Madeleine me causam aquele empatia cósmica e inexplicável que algumas músicas exercem na gente. É, sem dúvida, minha cantora de jazz preferida dos dias de hoje; recomendo demais. E claro, como eu não dou ponto sem nó, eu me refiro a uma canção em especial, sim; esta cuja letra segue abaixo (e que, aliás, é de autoria da própria Billie, talvez por isso a empatia) e que traduz agora o momento que vivo, assim mesmo, a la Madeleine e não a la Billie, linda e meio leve, ao contrário do que possa parecer - sem tanta tristeza ou pesar.

No More

You ain't gonna bother me
No more
Nohow
Love just goes so far
No more
Woke up this morining and found
I didn't care for you
No more
Not now

Never felt so good before
You're down to my size
It's over and done
So honey, step down from your throne
That look in your eyes
Don't bother me none
Can take you or leave you alone

From my window
Skys ain't grey
No more
Not now
Here's the day
That I've been waiting for
Got only one heart
One heart with no spares
Must save it for loving
Somebody who cares
So you ain't gonna bother me
No more, no more

Got only one heart
One heart with no spares
Must save it for loving
Somebody who cares
So you ain't gonna bother me
No more, no more

http://musica.busca.uol.com.br/radio/index.php?param1=homebusca&check=musica&busca=NO%20MORE&de=21&ate=40

(para ouvir, é o quarto link de cima pra baixo).



Escrito por AJ Azambuja às 12h17
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El Abuelo

"Un hombre, que se llama Amando, nacido en un pueblo que se llama Salitre, en la costa del Ecuador, me regaló la historia de su abuelo.

Los tataranietos se turnaban haciéndole le guardia. En la puerta le habían puesto candado y cadena. Don Segundo Hidalgo decia que de ahí le venian los achaques:

- Tengo reuma de gato castrado - se quejaba.

A los cien años cumplidos, don Segundo aprovechaba cualquier descuido, montaba en pelo y se escapaba a buscar novias por ahí. Nadie sabía tanto de mujeres y de caballos. Él habia poblado esa aldea de Salitre, y la comarca, y la región, desde que fue padre por la primera vez, a los trece años.

El abuelo confesaba trescientas mujeres, aunque todo el mundo sabia que habian sido más de cuatrocientas. Pero una, una que se llamaba Blanquita, habia sido la más mujer de todas.

Hacia treinta años que había muerto Blanquita, y él la convocaba todavia, a la hora del crepúsculo. Amando, el nieto, el que me regaló esta historia, se escondia y espiaba la cerimonia secreta. En el balcón, iluminado por la última luz, el abuelo abria una talquera de otros tiempos, una caja redonda de aquéllas con ángeles rosaditos en la tapa, y se llevaba a la nariz.

- Creo que te conozco - murmuraba, aspirando el leve perfume de aquel polvo-. Creo que te conozco.

Y muy suavemente se balanceaba, dormitando murmullos en la mecedora.

Al atardecer de cada día, el abuelo cumplia su homenaje a la más amada. Y una vez por semana, la traicionaba. Le era infiel con una gorda que cocinaba recetas complicadísimas en la televisión. El abuelo, dueño del primer e único televisor del pueblo de Salitre, jamás se perdia ese programa. Se bañaba y se afeitaba y se vestia de punta en blanco, como para una fiesta, el mejor sombrero, los botines de charol, el chaleco de botones dorados, la corbata de seda, y se sentaba bien pegado a la pantalla. Mientras la gorda batia sus cremas y alzaba el cucharón, explicando las claves de algún sabor único, exclusivo, incomparable, el abuelo le hacia guiñadas y le lanzaba furtivos besos. La libreta de ahorros del banco asomaba en el bolsillo de arriba del traje. El abuelo ponía la libreta, así, insinuadita, como al descuido, para que la gorda viera que él no era un pobre pelagatos." 

De Eduardo Galeano, em El Libro De Los Abrazos, que degustei lentamente e no qual há textos que fizeram de alguns dias cinzentos e de muitas horas de trânsito verdadeiras celebrações. Textos fantásticos, copiados a mão por mim em um caderno, para que eu possa finalmente me livrar dessa xerox mal feita e que não me pertence o mais rápido possível.



Escrito por AJ Azambuja às 14h31
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O cúmulo da alienação II

Foi quando estava presa no trânsito da Avenida Paulista às três e pouco da tarde. (É, peguei um ônibus da Brigadeiro até Pinheiros e levei uma hora, ao invés de pegar o metrô. Algumas pessoas não aprendem nunca...). Me distraía lendo algum dos textos anarquistas que Sr. Bianezzi me passou, quando notei um modesto grupo de pessoas na pista do lado, protestando contra o fechamento de uma escola pra surdo-mudos. No banco em frente ao que eu estava, ao mesmo tempo, duas moças olhavam deslumbradas a ostenciva decoração de Natal de um Banco (assim, com B maiúsculo), no lado oposto da rua.

Eis uma bela manifestação de como funciona o tal do Espírito Natalino, não?

Feliz Natal!



Escrito por AJ Azambuja às 20h25
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O cúmulo da alienação I

Numa manhã de segunda liguei a televisão para me sentir menos sozinha durante o café da manhã. Estava passando, num desses programas pra donas de casa, uma matéria sobre como o contato com os animais podiam ajudar no desenvolvimento das crianças, sejam esses cachorrinhos, gatinhos, porquinhos, macaquinhos, papagainhos, passarinhos (soltos na casa, e não em gaiolas), iguaninhas ou cobrinhas. Os porquinhos, em especial, eram mostrados como os mais carinhosos e inteligentes. O tipo de coisa que te faz dizer "oh, que bonitinho" e começar seu dia bem, ainda que de um jeito meio Pollyanna.

Tudo muito lindo.

Então, sem nem sequer um bloco de intervalos comerciais pra deixar menos explícita a ligação entre a matéria que acabara de passar e a propaganda que seria feita em segida, um dos apresentadores passou a convencer as boas donas de casa a comprar o "mini-terder" sei lá de que marca pra o seu natal. Não, não tentem me convencer de que foi mera coincidência - a mensagem está clara... não a explicitarei para não parecer panfletária demais. Mas acredito de verdade que a jogada discursiva - e sua ironia gritante, até vulgar - tenha passado desapercebida pela maioria dos espectadores  do programa - posso ser taxada de elitista, pessimista ou niilista, mas acredito mesmo. Porque as pessoas são alienadas, num sentido geral. Alienadas nas coisas mais simples do próprio dia a dia, menos num sentido marxista que no sentido "yogue", de falta de percepção e consiciência de si e de tudo o que as cerca.  



Escrito por AJ Azambuja às 13h11
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My Favorite Things

Esta é uma manhã perfeita pra falar das minhas coisas preferidas. O Anderson - uma das minhas pessoas preferidas no mundo todo - chegou de Curitiba e me ligou logo cedo; mais tarde vamos nos ver e matar as saudades, fofocando na cozinha em São Caetano do Sul. Sem animais ou derivados.

Fiz café e torradas, peguei uma fruta e fui desjejuar em frente à tv da sala. Na mesa de centro as rosas coloridas que comprei pra minha mãe, em nome do pai que viajou pra casa, jogam com a luz e fazem dos meus olhos máquinas de fazer filmes que só eu estou vendo. Quando eu tiver minha casa nela sempre terá flores. Por hora, estou feliz aqui. Por hora, vou ouvir John Coltrane, e dançar quedando do meu próprio eixo, como quando no palco de madeira do teatro pequeno no bairro Baeta.

Olhem só: eu, a desterritorializada constante, a que nunca pertenceu ao ABC, com lembranças nostágicas de dias passados na Grande São Paulo. Volto pra cá e é a maior festa, vou ver amigos que são minha casa. São férias, afinal. É tempo de ir pra casa. E de fazer promessas de ano novo - ou, com certa maturidade, esboçar alguns desejos. De voltar a dançar, por exemplo. De comprar flores com mais freqüência. De comprar logo uma câmera e ir fazer meus filmes. De cozinhar pra mim mesma sem preguiça, e de finalmente cortar da alimentação os derivados animais. E de tantas outras coisas...

Mas por hora, são férias. Então vou ler na rede, pegando sol, e ver meus amigos queridos, e ouvir música e dançar sozinha. E sentir essa dorzinha fina que é boa, na verdade. Sei lá, acho que sou mesmo assim. Acho que preciso me encontrar em mesma primeiro, porque talvez eu seja nômade, ser no sentido platônico, em essência ou por destino, e talvez minha casa só exista nessas minhas coisas favoritas que me fazem tão feliz.



Escrito por AJ Azambuja às 13h08
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De como deixei de ser uma pessoa sedentária

Foi quando minha vontade de sair correndo da vida passou a ser literal.

Escrito por AJ Azambuja às 15h14
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La Pálida

Mis certezas desayunan dudas. Y hay dias en que me siento extranjero en Montevideo y en cualquer otra parte. En esos dias, dias sin sol, noches sin luna, ningún lugar es mi lugar y no consigo reconocerme en nada, ni en nadie. Las palabras no se parecen a lo que nombran y ni siquiera se parecem a su propio sonido. Entonces no estoy donde estoy. Dejo mi cuerpo y me voy, lejos, a ninguna parte, y no quiero estar con nadie, ni siquiera conmigo, y no tengo, ni quiero tener, nombre ninguno. Entonces pierdo las ganas de llamarme o ser llamado.

de Eduardo Galeano, en El Libro De Los Abrazos.



Escrito por AJ Azambuja às 17h14
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a vida é mesmo um filme

ou melhor, uma sit com. porque eis que chego em casa ontem à noite (agora não mais minha casa, mas casa dos meus pais) e a primeiríssima cena que me vem quando deito na minha caminha de solteiro e ligo minha tv com canais a cabo é judy garland deitada em sua caminha de solteiro com sua mãe e seu cachorro e seus vizinhos ao seu lado, repetindo incessantemente:

"não há lugar como nosso lar! eu fui embora mas agora voltei e nunca mais vou embora, porque amo muito todos vocês, e não há lugar como nosso lar, não há lugar como nosso lar..."

o que se há de fazer além de rir? 



Escrito por AJ Azambuja às 12h04
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eu morro de saudades lá de casa...

Estou cansado de ouvir Bauhaus Today
Eu gosto da caixa de biscoitos natalinos que ela fez,
então eu visto o meu casaco marrom

Eu morro de saudades lá de casa
onde eu descanso no sofá ouvindo Bauhaus Today

(Luisa Mandou Um Beijo)



Escrito por AJ Azambuja às 10h57
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O Caso do Carro da Rebouças

Estava eu, há uns dias atrás, esperando um ônibus na Rebouças. Muito inteligente que sou, resolvi sair de casa às seis e meia da tarde para ir ao cinema, naquele dia em que o Cinemark exibe filmes nacionais a dois reais (hum, isso aqui dá margem a uma discussão importantíssima, sobre a infeliz necessidade do cinema nacional deste tipo de esmola, ainda mais vinda de uma rede que quase nada contribui à democratização da cultura ou à disseminação de arte. Mas não quero discutir nada agora, só quero contar um causo). Óbvio que demorei duas horas pra chegar ao cinema e não consegui comprar ingresso para "Tropa de Elite", que aliás eu não assisti até agora. Comprei entrada pra sessão das dez e quarenta de "Não Por Acaso" e dormi o filme inteiro, não porque o filme fosse chato mas porque eu estava com sono mesmo. Mas isso não vem ao caso. Enfim.

Sou meio dondoca e me recuso a subir em ônibus extra-lotados a não ser em caso de vida ou morte. A situação estava longe de ser um caso de vida ou morte, então eu via os coletivos passarem na minha frente entupidos de gente, horrorizada com pessoas entrando em espaços onde era óbvio que não cabia mais ninguém. Horror. Um ônibus parou com a porta bem na minha frente e a menina que estava do meu lado subiu nele, conseguiu um espacinho pequeno no 1o degrau e se espremeu; quando as portas fecharam sua pele ficou esparramada contra o vidro, e o ônibus partiu. Fiquei pensando nas pessoas que precisam mesmo se submeter a esse tipo de situação, e nos motivos que as levam a isso. Daí então, provando que Deus também sabe fazer excelentes planos-seqüência, entrou, no mesmo enquadramento de visão, no lugar onde antes estava o tal ônibus, um carro importado, levando a bordo uma única pessoa, um rapaz muito bem vestido. Antes até de perceber o potencial cinematográfico da cena eu fiquei olhando aquele carro e pensando na violência da cidade e em como os menos favorecidos economicamente são os mais à mercê dela, e pensei nos vários carros com um só passageiro congestionando ainda mais o trânsito e tornando a vida de todo o mundo mais difícil, e aquele carro virou então uma espécie de símbolo do individualismo capitalista, não do individualismo "bom", mas de um tipo de individualismo nocivo à sociedade...

O cara que estava no carro achou que eu estivesse paquerando ele e sorriu pra mim. E ele era lindo, nossa Senhora, do tipo que se eu olhasse em outro contexto eu jamais acharia que me daria bola. As moças do meu lado soltaram uns risinhos cúmplices de excitação solidária, daqueles das mocinhas nos bailes dos filmes de época. Primeiro eu pensei que, se ele soubesse o que eu estava pensando, não estaria sorrindo. Mas depois confesso que fiquei me achando um pouquinho.

Mais tarde, depois de demorar duas horas pra chegar no cinema e encontrar quase todas as sessões esgotadas, pensei que eu deveria mesmo era ter pedido uma carona.



Escrito por Sta. Tenenbaum às 12h43
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Não há no mundo maior suplício ou pior calvário do que vizinhos que tenham um karaokê. Acreditem.

 

Após meses de abstinência, em meio a uma das periódicas crises existenciais, eis que este blog volta a mostrar manifestações de vida. Está em minha lista voltar a escrever e escrever mais, e isso inclui cuidar melhor deste cantinho virtual aqui. Quem quiser ver se isso vinga, volte em breve. 



Escrito por Sta. Tenenbaum às 17h27
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“SE O UM É A PERFEITA FUSÃO DE DUAS METADES,

NÓS HOMENS SOMOS SELVAS DE METADES

EM ETERNA BUSCA DA IMPOSSÍVEL UNIÃO.

O AMOR É A ÂNSIA CONSTANTE DE CHEGAR AO UM,

MAS SE EXISTISSE O UM SERIA A NEGAÇÃO DO AMOR.

MORREMOS SÓS, COMO METADES SÓS”

 

Federico Garcia Lorca



Escrito por Sta. Tenenbaum às 16h11
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